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você vai me falar sobre aquela vez em que perdeu o controle de si mesmo por quase duas horas e eu vou te olhar pra tentar te absorver inteiro. você vai me falar do desespero que é circular por essa cidade quase sem vida e eu vou te falar que a beleza assustadoramente resiste. você vai me pedir pra ficar do seu lado e eu vou sussurrar baixinho quase implorando pra ficar em você. e será que funciona? será que a gente pode fugir dos próprios medos pra tentar afagar o do outro? será que eu consigo parar de queimar no meu inferno particular pra cuidar das suas queimaduras de terceira (ou quarta ou quinta ou sexta ou toda) mágoa? será? porque eu iria. eu ficaria aqui pra te salvar, entende? e sentir um tiquinho da sua dor que mesmo sem conhecer eu respeito porque o amor que eu sinto é tanto.
e eu sei que vão existir essas vezes em que algo vai me impedir de estar aqui, mas isso não quer dizer que fui embora. isso só quer dizer que às vezes caio também.
mas é o que nos faz sentir o abismo do outro, não é? nossas próprias quedas. nossas próprias perdas.
então acredita quando digo que não vou sair daqui agora.
eu não vou sair daqui agora e se você partir,
eu te junto.

o dia em que eu morri

No dia em que eu morri era pra eu ter te falado que eu não me conformo.

Não me conformo mesmo, João. Você estava certo de pensar assim, eu que demorei demais pra entender. Acontece que eu estava na fila daquela padaria na avenida com nome de presidente, quando de repente eu senti tudo aquilo. Ouvi o barulho dos caixas, das moedas tilintando, dos freezers, dos pães sendo embalados, da menina fazendo birra ao pé da mãe, tudo ao mesmo tempo eu ouvi e o pior: senti.

Eu senti toda a energia daquele ambiente e finalmente entendi o que você quis dizer. Entendi que mundo é a concepção do agora, funcionando a cada minuto que se passa, e que esse é um minuto a mais e um minuto a menos. Às vezes, vai ver, é o último. Engraçado pensar nessa questão dos últimos minutos. Engraçado mesmo, porque no dia em que eu morri era pra eu ter te contado tudo isso. Mas o que eu estava dizendo é que eu não me conformo e, por mais que você já tenha entendido, eu preciso explicar pra quem ainda não entendeu.

Quando o sol se levanta pela manhã, traz destinos diferentes às pessoas. Quem nasce rico sempre pensa que nunca tem o suficiente pra viver, quem nasce pobre é explorado e nem sempre descobre que tem o mesmo direito ao mundo que a gente rica da tevê tem. Quem tem saúde: bebe, fuma, joga fora a vitalidade que quem é doente sonha ter. Do outro lado do mundo e do outro lado da rua as pessoas matam e morrem pelo poder de consumo – enquanto em outros lugares há tanta fartura que as pilhas de lixo se acumulam com comida fresca e roupa nova.

A cada dia chegam mais notícias sobre as vítimas fatais do machismo, homofobia, da ignorância, da fome, da depressão. E eu penso nos últimos minutos dessas pessoas: será que elas já previam o que estava por vir? Enquanto parada naquela fila, entendi que tudo isso acontecia, acontece, acontecerá – e uma parte de mim morreu.

Eu não me conformei, João. Não me conformei com nada disso. Saí meio esbaforida da padaria pouco tempo depois. Meu passo acelerava conforme meu inconformismo crescia, atingia a grandeza de um pássaro e me cegava.
Você deve achar que eu apenas me descuidei ao atravessar a avenida, mas a real é que a vida me atravessou.

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eu amei um cara e ele foi o maior pecado da minha lista de pecados mortais. escrevi textos em prol dos nós que ele me fazia ter na consciência e odes à decência que perdi por o amar demais, amar demais. ele valeu cada porre e cada grito e cada ida desesperada ao pronto socorro só para ao dizer ao médico: eu morro, sem ele eu morro. valeu cada suspiro, cada sussurro e cada murro de ilusão que eu me deixei levar. todos os erros e todas as rachaduras. ele valeu toda a estrutura que deixei desabar por amor. e eu aceitei que jamais fosse meu e o vi negar quando eu resolvi lhe dar tudo que eu era. ele valeu cada guerra interna que travei, todo drama que eu fiz, toda cama que deitei na vã ideia de esquecer. ele valeu todo suicídio que eu planejei fazer e toda morte que eu não tive por não digerir perder nosso próximo encontro. e eu me dei conta disso tudo ao encontra-lo no mercado, comprando coisas para a casa que ele está prestes a dividir com outra pessoa. não foi à toa. não sobrou mágoa. vieram lágrimas. tá tudo bem, calma. te ver falar de um novo amor foi tão lindo que eu não aguentei. meu deus, como eu te amei. que bom que ela te encontrou, que bom que ela provocou tudo ou quase tudo que eu senti. a gente se vê por aí. tá tudo bem, seja feliz. me abraça aqui. eu consigo ama-la só de te ver falar dela e sorrir. é grande ainda e é grande assim. vez ou outra liga pra mim. eu não quero te esquecer.
eu amei um cara
e foi tanto amor que fui capaz de sentir paz ao vê-lo amar
sem mim

I love and I lost you

cruzar seu caminho impediu minha explosão. te ter em meus braços foi como segurar um pedaço de algo inexplicavelmente divino. te ter era certo, mas nós dois sempre fomos rebeldes. sabíamos da nossa força, mas não estávamos preparados para uma guerra contra o mundo. i loved, and i loved, and i lost you.

você me contou que em 1976 o acdc teve que escolher um baixista com uma técnica não tão boa, mas bonito, pra imagem dos caras, e você me disse que teria que fazer o mesmo pro peso de beleza da banda não ficar todo sobre você, cê é extremamente pretensioso e arrogante, era só mais um pouco do seu charme, “faz parte do show”, você me disse. i loved, and i loved, and i lost you.

cê também me contou a história da sua tatuagem no braço e eu te achei a pessoa mais corajosa do mundo. não era só uma tatuagem, sua história de quase morte só me fez querer provar dessa audácia que cê tem desde que cê chegou nesse mundo, eu não sei do que provei, mas gostei. i loved, and i loved, and i lost you.

eu te disse que a minha vida tem um fenômeno bizarro: as músicas predestinam ela. cê achou graça e me chamou de amorzinho. não posso deixar de pensar que eu predestinei nossa destruição temporária (ou não) ao ouvir Quando Bate Aquela Saudade do Rubel e me esquecer daquele verso que fala “a gente fica longe e volta a namorar depois”, que se tornou meu presente. i loved, and i loved and i lost you.

no dia que cê me falou da escolha do acdc veio a promessa da aliança que você compraria esse mês, quando eu disse que eu precisava afastar os olhares das vadias de você. cê disse que era meu, que eu não tinha que me preocupar. e não tinha mesmo. i loved, and i loved, and i lost you.

depois cê me mostrou a somebody like you do 38 special e o que cê quis dizer com isso foi que seu coração tava nas minhas mãos e eu era a única que podia virar seu mundo de ponta cabeça. mas eu fiz carinho nele e te ajudei a colocar algumas coisas no lugar. isso é amar, sabe? cuidar enquanto você pode destruir. i loved, and i loved, and i lost you

cê me contou como ganhar uma briga na baixaria e das suas aventuras de adolescente audacioso que cê sempre foi. nesse dia eu te contei de uma aventura da criança esquisita que sempre fui e a gente se divertiu mesmo e eu até ignorei o frio que passava pelo meu casaco só pra te ver sorrir a cada palavra que eu falava. i loved, and i loved, and i lost you.

cê me pediu em namoro no dia do rock e disse que se a gente terminasse não ia ter como não lembrar, mesmo que por um segundo. eu te desejei um feliz dia. e um “aceito”. também te dei meu coração, acho que cê ficou com medo. i loved, and i loved, and i lost you.

num festival de bandas, antes da sua apresentação cê me desafiou a saber o nome da banda que tavam tocando. era Aerosmith, e eu não gostei tanto da voz do cara que tava cantando, você soube só de me olhar. cê riu porque sabia que eu odeio quem canta mal e acha que sabe alguma coisa. cê riu da minha pretensão arrogante que nem eu ri da sua. i loved, and i loved, and i lost you.

eu sabia que não devia ter te beijado no “i was crying when i met you, now im trying to forget you”. cara, eu sabia. im trying to forget you e ta difícil. eu que sempre cantei junto com o steven tyler troco de música toda vez que ele se arrisca a cantar perto de mim. parece que eu predestinei o nosso suposto fim, sabe? cê riu e ainda ta me devendo o dinheiro da aposta. i loved, and i loved, and i lost you.

no nosso último dia juntos você me desafiou de novo mas dessa vez era best of you. eu não deveria ter te dito isso, sabe? is someone getting the best of you? não quero saber. mas im your fool, e cê sabe, cara. cê sabe. i loved, and i loved, and i lost you.

eu não sei bem o que fazer. acho que vou cuidar desse amor. espero que o Rubel esteja certo, sabe? que a gente volte a namorar depois. meu sentimento ta esperando você se encontrar e perceber que o que falta em você sou eu, e talvez eu deixe esse texto Pra Você Dar O Nome. i loved, and i loved, but have i really lost you?

𝙰𝚗𝚘 𝙽𝚘𝚟𝚘

criemos asas neste final de ano pra voar pra longe de quem nos fez mal. de quem nos afetou negativamente. de quem esmagou nosso coração. de quem transformou nosso caos em romance: não existe romance no caos. não existe romance na incerteza. não existe poesia em sentir dor alguma
criemos asas neste final de ano pra voar pra bem longe. pra costurar a própria pele depois de uma longa caminhada e jornada rumo a novas descobertas, quem sabe com outras pessoas, em novos lares, de maneira mais confortável. é preciso coragem pra voar para longe de alguém que machuca a gente. mas quando fazemos, a recompensa é tremenda: muda-se as estações, os dias tornam-se mais amenos, a vida mais feliz
criemos asas para voarmos por conta própria. para longe de tudo que nos controla e nos coloca culpa. de tudo que requer da gente covardia, mentira, insegurança. que nosso único lugar de conforto seja onde a verdade abraça nosso corpo e estende sobre nós a paz de ser honesto. que você voe, para pessoas e lugares, que só requeiram de você a honestidade
criemos asas neste final de ano para dizer não. para opinar mais. para se fazer ouvido, presente, importante. é necessário existir em corpo e em palavra. em atitude e ação. que criemos asas para falar menos de amor e mais sobre amar. que nossas palavras fiquem pequenas perto dos nossos movimentos: é agindo que se comprova como se ama
criemos asas neste final de ano para sermos mais gentis com nosso próprio corpo. que a gente consiga se olhar no espelho e gostar do que vemos. que não seja desconfortável olhar para si próprio e perceber uns sinais de queda, sinais de que você se entregou, sinais de que viveu. toda cicatriz é fruto de uma experiência marcante. amar é uma marca indelével
criemos asas para lidarmos com nossas falhas. que neste final de ano, e no ano que vem, e nos próximos, você consiga compreender o milagre da sua existência. pois ninguém existe como você. porque seu corpo é o que de mais seguro existe sobre você mesmo. seu corpo é um recado do universo pra você, dizendo: “você tem para onde voar quando tudo estiver turvo e tardio”
que neste final de ano você consiga voar para longe de tudo que não abraçou seu coração. e que encontre pessoas e lugares que estejam dispostos, verdadeiramente, a abraçar tudo que você carrega. os sonos perdidos no meio da noite, as insônias, o medo de perder. porque a gente precisa de coragem pra sair dos espaços pequenos que não sabem abraçar aquilo que somos
eu sei, às vezes o que mais machuca a gente é aquilo que está por perto. e que é difícil se desvencilhar daquilo, afinal de contas ninguém quer ter de lidar consigo mesmo
mas o final de ano está aíe só mais um final de ano, é só o tempo sendo repartido e glamourizado
quero que você pense que a vida acontece continuamentee que você precisa fazer como alguns pássaros que, às vezes, viajam quilômetros a fio em busca de águas quentes, comida e um sol quentinho
é você o pássaro nessa história. voando de um ano para outro.é você quem precisa sair da onde está para experimentar outras sensações, línguas, abraços, momentos, lugares, tudo. é você quem precisa voar de ambientes que não te oferecem comida para lugares onde você se sacie e tenha dias gloriosos
a jornada é dolorosa. disso eu sei.mas quem disse que seria fácil? viajar para fora de si para conhecer outros universos?
que você crie asas para sair. respirar. ficar longe. adquirir corpo, mente, imaginação. voe para ficar são e salvo. voe para amadurecer. para saber como é lidar com a adversidade e o tempo ruim. com as chuvas e tudo que o mau tempo traz.
que neste final de ano, que é só uma parte de uma vida e uma jornada maior, você crie suas próprias asas. que aprenda a costurá-las. que você estude seus movimentos. conheça a si mesmo. coloque em prática um plano de voo. que levante as asas e vá.
vá pra lugares que você sempre teve vontade de ir vá para pessoas que sempre teve vontade de conhecer vá para camadas de si mesmo que você não pensava existir
e que você passe por esse ano e pelo ano que vem e pelos próximos sabendo que sua coragem te levará a lugares incríveis
criemos asas para sermos maiores do que já somos.

𝖴𝗇𝗍𝗂𝗍𝗅𝖾𝖽

Você merece mais do que um status de relacionamento no facebook e todas as rosas da jardinaria que tem perto da sua casa. Você merece ser recompensada com a sua própria companhia em momentos tão particulares e peculiares que nem Monet poderia retratar na mais valiosa pintura impressionista. Você merece sair para passear e merece comer vários churros duma vez só porque, veja bem, a vida é muito dura e às vezes não se sabe, simplesmente, como seguir. E seguir não depende de ter o melhor namorado do mundo; muito menos se trata de quantas vezes você consegue dizer um “eu te amo” sem parecer tola ou sensível demais. Seguir implica em você conseguir se desvencilhar da rotina pesada que a semana impõe sobre seus ombros: então você se levanta numa quarta-feira, prepara seu próprio café, aprecia sua própria companhia e se dá a oportunidade de não fazer nada. O mundo não vai parar porque você decidiu tirar um tempo pra você – tempo esse que pode ser tirado enquanto você fecha os olhos dentro do ônibus e começa a sorrir pensando no quanto é bonita e merece amor, o seu amor. Tempo esse que pode ser tirado quando você estiver sozinha no seu quarto, esperando o nascer da vida e o florescer de uma esperança límpida, livre das perturbações mundanas. E sabe por que você merece muito mais do que o raso que o mundo oferece? Porque enquanto a gente não tirar de nós a ideia de que precisamos de outrem para “ser” muitas coisas (bonitas, amadas, legais, felizes, interessantes), estaremos sempre subordinadas à solidão do mundo. E a solidão do mundo nada mais é do que um código em braile que ainda não conseguimos nem sabemos como interpretar. Só aprendemos sobre nós mesmas e sobre como somos resilientes, fortes e incríveis, quando entendemos que nada, nem ninguém, fará o terremoto interno acontecer. E isto – o terremoto interno, a força na alegria cotidiana e o entregar-se a si próprio – eu chamo de felicidade plena.

A felicidade é você. Compre seu próprio buquê de orquídeas e relacione-se profundamente com si mesma. Agora.

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a primeira vez que assisti blue valentine, eu fiquei com um vácuo no peito durante sete dias. prometi a mim mesma que apenas veria novamente quando eu tivesse estabilidade emocional pra não ficar com outro vácuo no peito durante sete dias. já faz três ou quatro anos que nunca “como pode confiar em seus sentimentos, quando eles podem desaparecer assim?” ou “sabe quando uma música toca e você precisa dançar?”.

até hoje.

lembro que fiquei martelando: amor não é suficiente amor não é suficiente amor não é suficiente, como se fosse um mantra, mas só que eu não conseguia ter paz com ele. pelo contrário. são necessários tantos anexos que a ideia de ter apenas a planta ou o telhado não é possível. não dá pra sobreviver dessa forma.

eu quis me desintegrar durante o dia com a chuva porque se eu fosse levada pelos bueiros da cidade talvez desembocasse no rio que flui entre suas pernas enquanto te toco e eu poderia fecundar meu amor em você. puro e simples. sem tantos anexos.

mas, além de tudo, eu não sou um garoto. a natureza nem os homens nos querem infinitas porque eles nunca souberam o que fazer com algo que dura. e eu só anseio durar um tempo atrás do outro, quem sabe, desse jeito, você esqueça que eu cheguei meses atrás e goste de mim como se tivesse me conhecido agora.

porque os inícios são tão incríveis, mas é o que vem no meio da história que faz a gente sentar e ouvir o que segue depois. eu te seguiria como os olhos de um astrônomo numa constelação nova. como um físico que achou uma segunda teoria pra explicar a aceleração e o repouso.

eu não quero ser um exemplo da seleção natural só porque eu não consigo desenvolver o medo em coragem. só porque eu não consigo transformar raiva em compaixão sempre. só porque eu não entendo porque não podemos ser cruas e isso bastar.

eu me refleti na sua íris mata virgem e explorei, ali, toda sua existência pós-mim. que a mágoa do universo em não saber permanecer não te devaste. a Terra está se afastando do Sol a uma velocidade de 15 centímetros por ano. é assim que seguimos em frente porque o amor, por si, não pode plenamente nos salvar?

na cena final, ela o observa indo embora. não acho justo. se alguma hora, acontecer, lembra também do que você disse “vamos nos esquecer juntas” porque, embora, continue não sendo justo, minha parte preferida em você nunca foi as costas.

eu me refleti na sua íris mata virgem e me apaixonei, ali, por toda sua existência antes de mim.

Depressão, suicídio

você disse que eu tenho preguiça de viver porque não sei bem como se faz isso.

gravou um áudio longo sabendo que odeio áudios longos e tentou me convencer de que eu só os odeio porque isso é uma manifestação pequena de que estou debruçando meu tempo em alguém.

você disse também que eu sou insensível e seca.

não sei de quem sentiu raiva nesse momento, p. de mim por te olhar com esse ar de descompromisso ou de si mesmo por querer algo,

algo que eu jamais poderia te dar.

quando renata morreu e você disse que não voltaria porque a lembrança dela sorrindo no aeroporto era a última que queria ter eu tentei entender o seu amor,

mas fiquei pensando agora que aquele sorriso era só outra máscara porque ela estava devastada por dentro e você preferiu guardar uma mentira.

quando falamos sobre como as pessoas são porenquanto e depois veio aquela analogia, você me disse que todos por quem passamos os olhos são dores pungentes que não conseguimos anestesiar,

você estava de luto, p. eu entendia sua raiva.

eu também a senti.

você passou a odiar a palavra depressão por ter perdido o amor da sua vida para ela

e eu tentei entender como tudo tinha se tornado tão difícil para você.

tentei entender hoje enquanto você proclamava seu ódio a tudo que eu tenho pra mostrar

porque você acha que não estou lutando o suficiente

você não entendeu nada

mesmo perdendo-a

você não entendeu nada

eu também queria ter feito algo por ela, mas eu sei o quanto é difícil lutar essa guerra

quando você disse que éramos dor eu entendi que não era sobre sermos buracos imensos na vida do outro

era sobre eu ser meu próprio obstáculo e precisar de você tentando no mínimo entender

o amor às vezes pega aviões, p. e prefere lembranças ruins a não ter nada real pra tocar

e ficar apesar de.

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mande boas energias para ele.

eu sei, é difícil depois de tudo. mas não é só assim que a gente consegue paz? quando decidimos desejar que ele tenha uma fé imensa, e uma luz também, porque ele merece ser feliz e merece ter uma vida boa apesar de tudo? em “comer rezar amar” tem um diálogo incrível entre Elizabeth e Richard, em que ela diz sentir falta do ex marido e ele replica dizendo: “então sinta falta! e mande boas energias toda vez que você pensar. e depois deixe-o ir.”

talvez hoje seja o dia de você perdoá-lo e se perdoar e tirar todo o peso da memória queimando como um ácido na sua mente.

talvez hoje você precise se libertar de todas as amarras que te prendem àquele que foi embora. ir embora requer muitos sacrifícios, não é? deixar ir, também. então deixe-o ir. e toda vez que você pensar nele, lembre-se de mandar amor. de pedir que alguma coisa bonita aconteça em seu caminho e que o perdão, a paz e a felicidade consigam encontrar vocês, mesmo que em sentidos e vidas diferentes.

hoje eu te perdoo porque me perdoo. e, garoto, eu te mando uma luz do tamanho da Noruega. te desejo uma fé e uma paz de espírito do tamanho de todas as vezes que te amei em silêncio. e amor. porque ainda amo o que você representou e trouxe pra mim.